Como classificar o trabalho escravo moderno?

Copio na integra o texto abaixo, encontrado no endereço (http://www.sindinoticias.com/materias,8634,como_classificar_o_trabalho_escravo_moderno.html), por considerar muito pertinente.

Podemos caracterizar o escravo (do latim medieval = sclavus) por meio de uma prática social em que um ser humano não tem direitos e é de propriedade de outro ser humano. Isso só é possível por…

Podemos caracterizar o escravo (do latim medieval = sclavus) por meio de uma prática social em que um ser humano não tem direitos e é de propriedade de outro ser humano. Isso só é possível por imposição de força. Esse tipo de trabalho pode envolver tráfico de pessoas, práticas abusivas de recrutamento devido a dívidas, imposição de obrigações militares e civis, através de punição por opiniões políticas, e ainda pode adquirir características da escravidão como o tráfico de escravos de tempos passados. Um ponto em comum entre todos esses tipos de exploração no trabalho é que envolvem por trás motivos políticos ou econômicos.

Esses escravos que serviam de “mercadorias ambulantes” não poderiam ser aceitos por nossa sociedade hoje, certo? Mas não era em todas as sociedades que o escravo era visto como uma mercadoria: na Idade Antiga, os escravos de Esparta, os hilotas, não podiam ser vendidos, trocados ou comprados, pois eles eram propriedades do Estado Espartano, que podia conceder a proprietários o direito de uso de alguns deles; mas eles não eram propriedades particulares, não tinham um dono, o Estado que tinha poder sobre eles. Entretanto eram escravos.

Na aristocracia (do grego aristos, o melhor, e kratus, poder), Aristóteles dizia que quem comandava o Poder eram os melhores cidadãos. Para o filósofo Platão, a aristocracia é baseada na virtude da sabedoria. Ambos vieram compor a alta nobreza dos “senhores de terra”. Se antes para a nobreza era “status” possuir escravos, hoje é simbolo de abuso e de exploração.

Essa idéia de exploração teve seu ápice na Revolução Industrial (Iniciada na Grã-Bretanha em meados do século XVIII, expandiu-se pelo mundo a partir do século XIX) e sua defesa em pról do trabalho remunerado do proletário. Tudo parecia levar ao fim da escravidão, até que se percebeu que ela apenas evoluiu. Os maus salários e os lucros indo para o bolso dos burgueses fez ressurgir o sentimento de falta de liberdade, muito semelhante ao da escravidão e retratado muito pelo defensor dos proletariados, Karl Marx.

Hoje as grandes indústrias e parte da alta sociedade monopolisa tudo que há em nossa volta e trazem a escravidão moderna. Analisando tudo dito até aqui, nos lembramos até dos vírus que se desenvolvem ao longo dos anos. Essa é a escravidão: um vírus, ou uma parte dele. Esse vírus pode ainda ser comparado a um ingrediente de uma simples receita, como as que Ana Maria Braga apresenta. Misture as doenças, as guerras, as misérias e as corrupções para ter o prato principal: o capitalismo democrático de cunho aristocrático. Esse é o verdadeiro vírus. E a escravidão de que falamos? É apenas a fatia desse imenso bolo.

Por: Rodrigo Elias – Pós graduado em Assessoria de Comunicação

Emporio Hops

É muito raro, mas aconteceu comigo ontem. Um estande, de 2×2 desbancou praticamente todas as cervejarias gourmet que eu conheço aqui na região.

O nome é Emporio Hops. Fica no Shopping Palladium, perto dos cinemas.

Um estande de 2×2 com 8 mesas bem simples em volta. Mas um monstro no cardápio.

Aconteceu assim. Fui buscar a ‘dona da pensão’ no shopping. Pretendia pega-la em frente ao pet shop e ir embora, pois tenho uma aversão intestinal a shoppings, ainda mais as 18h. Chegando lá, ela estava de frente para a vitrine da loja, obviamente brincando com um gato persa maravilhoso. Ok, fico uns minutos, “odeio” gatos persa mesmo, não me custa namorar o bichano.

Daí ela me falou, que queria me mostrar algo no terceiro andar. Pensei naturalmente que era uma loja de sapatos (porque será…), e controlando meu desespero, ja que as primeiras horas iriam me custar o mesmo estacionamento, segui ela para o abate.

Só que ela queria me mostrar o Emporio Hops, uma cervejaria gourmet, que depois passei a considerar cervejaria premium gourmet.

Logo de chegada, amei o lugar. Bem de frente para a bitrine, ocupando destaque, “Tequileros”. Uma substituição perfeita para a “Desperados”, cerveja feita com tequila.

Visto que estava um forno, nada mais inteligente que modificar o destaque da vitrine (a prateleira que fica na altura dos olhos), colocando uma seleção de cervejas próprias para matar o calorão.

Quem nos atendeu, foi o Vinicius, creio que um dos proprietários. Ja perguntei desconfiado (nada contra shoppings) se havia uma gelada na temperatura certa (estas cervejas com tequila, precisam estar pelo menos nos 12 graus, ou seja, lá na parte de baixo da geladeira de vidro). Ele puxou logo do lugar certo uma e me passou pra testar. Ja eram 4 pontos positivos ao local.

Sentamos, ele serviu na taça certa. Pin!, mais um ponto. Me lembrou outra que fui e peguei uma cerveja Ale e me serviram numa taça para Stout. Nada contra, mas é como servir champagne em taça de boca aberta para marguerita…

Antes que eu pensasse, ele veio com uma pequena porção de amendoim torrado salgado. Algo como 20 gramas, quantidade exata para uma taça de cerveja. Mais um ponto.

Começamos a conversar (eu e patroa), e aproveitei para questionar um pouco sobre o cardápio dele (115 cervejas). Percebi algumas coisas triviais, boas para o medio afegão que está em processo de divórcio da Kaiser, e outras mais específicas para quem tem estomago, como as IPA escuras, e stouts.

Conversando com ele, percebi que ele tem um grande conhecimento daquilo que interessa ao cliente, como sabor, origem, processo de fermentação, tipo de maturação aplicada, puxada do sabor, origem do lupulo e qual o estilo do lupulo (sabor, aroma, retrogosto…). Para mim, melhor conhecimento que saber cada ponto de fervura do malte, pois obviamente o foco dele não é produzir cerveja, e sim dispor dos melhores rótulos para atender a demanda corre corre do shopping.

Estimava gastar uns 24 reais ( 2 tequileros), mas no vai e vem, ele me convenceu a experimentar uma irlandesa, que era a ultima garrafa do estoque dele inclusive. Vermelha, forte, (esqueci o nome), e serviu na taça certa!!! Alias, a cada troca de cerveja, mesmo que fosse o mesmo rotulo, eles trocam as taças (otimo porque cervejas premium oxidam rapidamente na taça). Ah, antes que esqueça, as taças foram bem escolhidas, pois não há deformação nem bolhas no cristal. Para quem conhece de vinhos, sabe que uma taça torta pode mexer demais no sabor ‘do meio’, e eu creio que o mesmo acontece com a cerveja.

Mais bate papo, uma dissertação ótima sobre as IPA e IGA, onde o palestrante Vinicius ainda tinha a maestria de não deixar o expectador se sentir ignorante demais (apesar de eu ser hehe) no assunto.

Muitas idéias (visto que moro num sítio e tenho todo o ferramental para construir barris, tinas, pipas e tenho os equipamentos para produzir vinho e cerveja), vieram, como cerveja de abóbora, pensei em framboesa, amora silvestre, e se faz com abobora, porque não tentar com cenoura? Ate uma ideia de filtrar em farinha de pinhão e castanha portuguesa, que achei excelente, até porque colho algumas toneladas (umas 6) de abobora, castanha, pinhao e nozes todo ano, e como não vendo, acabo congelando uma parte, e outra parte preparo de ração para os animais. (Castanha portuguesa tem uma quantidade absurda de açucares e engorda um porco ou forma um cavalo em poucos meses).

Hora de pagar. Hum, peraí, ele vende taças. Vamos ver o que acontece. Pimba, como excelente comerciante o Vinicius percebeu que Patricia estava namorando uma taça, juntou tico e teco, e começou a sugerir cervejas que ele não coloca no cardápio e ‘esconde’ debaixo do caixa. Deve ter percebido a mistura de indiano com alemão nela, e puxou 2 alemãs certeiras, aptas àquela taça que Patricia queria. Ok, terceira passada de cartão em menos de uma hora.

Ainda conversou sobre 2 eventos que acontecerão em março e novembro, e nos mostrou um folder de uma cerveja especial, feita pela brown beer com 8 cervejeiros ‘importados’ para um evento que aconteceu a pouco tempo. Não entendo porque as outras cervejarias não tem um mural, ou postam em facebook e etc estes eventos que acontecem aqui perto de Curitiba…Abandonamos a idéia de passar o carnaval em alguma viagem cansativa, para irmos nestes eventos, pois é bem o que ambos gostam. Ou  eu gosto e ela quer agradar, fazer o que rsrs.

Hora de ir, 130 reais foram-se sem dó e sem saudades. Amei o lugar.

Claro que sempre invento uma dica. Então considerando ser shopping, e não ser possivel servir umas salsichas brancas alemãs, eu pensei que seria bem interessante servir alem do amendoim, 1 fatia pequena de Pumpernickel (http://en.wikipedia.org/wiki/Pumpernickel) junto com as escuras, e quem sabe cubinhos de queijo Prima Dona ou Gran Padano com cubinhos de goiabada com as claras. Creio que isto não fere as regras do shopping, pois não há cozimento.

Outra dica, plausivel, é um cardapio de degustação. Determinar uns 30 rotulos, e cobrar uns 50 reais por 6 taças, rotulo a escolher. No minimo 2 pessoas pois cada garrafa dá para 2 taças. Então são 50 reais por 6 cervejas diferentes. Um preço adequado, uma quantidade de cerveja boa para degustar sem embebedar, e permite ao vivente, começar a ser educado na arte da cervejaria artesanal.

Minha nota pessoal ao Emporio Hops e os proprietários é 10. O local é adequado para o produto, o publico é rotativo e não faz zona, quem atende CONHECE de cerveja, os proprietários amam o assunto e se dedicam a isto, o cardápio é ótimo, e os detalhes (taças, chopeira, porta copos, mesas) fazem o lugar ideal para marcar com alguns amigos, e depois cada um pegar seu trajeto para casa, pois quando passamos da fase do ‘Vou pegar todas’, entramos na fase do ‘Vou esfriar a cabeça e ja vou pra casa’. Ou seja, o local TEM personalidade e SABE qual é o publico que quer atender.